sábado, 11 de fevereiro de 2017

Eu nunca fui de falar de mim, eu quase sempre só escrevo o que vem da cabeça {ou do coração}, mas sempre fui de escrever e isso sempre foi mais que um pedaço de mim, é como se eu só conseguisse ser eu mesma assim, escrevendo o que vejo, o que acho que faz sentido, o que na maioria das vezes acaba nem fazendo, mas no fim das contas é o escape de todo o mundo de fora. E tem um tanto de tempo que nem sei mais o que é escrever, o que é gostar e ter algo como fuga. O tempo voa, a vida aperta e a gente se perde um pouco mais a cada dia. Quem serei eu daqui a um quinquênio? Que mais espaços deixarei de preencher no meu cansaço? Que esperar do objetivo que busco sem querer parar? A gente pausa uma parte da vida pra alcançar mais um degrau sem saber o que vai esperar por lá. Se joga na neblina sem a faixa branca do acostamento de guia. A gente só vai, espera, se move, vai de novo até chegar e espera: que um dia o que ficou seja a essência.
Eu me lembro daquela tarde em que você carinhosamente embolava seus dedos em meu cabelo encaracolado, bagunçando os meus poucos cachos enquanto eu quase-que-cochilava, sem saber se ainda prestava atenção naquele silencio ou se sonhava. Eu me lembro que era muito boa aquela sensação de ter a vida toda e ao mesmo tempo ter aquele momento em que tudo parava. A gente costumava ficar bastante tempo e bastantes tardes assim, revezando as loucuras dos nossos dias com o frescor da cumplicidade dos nossos afagos. Nossa respiração até se misturava de tão sincronizada e nossos cheiros tornavam-se um só. Eu me lembro de começar a rir por nada, o que te deixava um pouco irritado por não entender nada, o que me fazia achar mais graça e não conseguir parar de rir, e acabava que você ria também e a gente virava dois idiotas rindo por nada. A gente costumava se entender sem nem dizer, tinha um sexto sentido tão forte que não precisava nem de telefone, e-mail ou recado, sempre um vinha bater na porta com o outro já saindo pra ir ver/contar/desabar. Eu me lembro como se fosse agora daquela tarde de janeiro em que você se foi. Eu nem pude me despedir ou ir ao seu encontro. Eu só me lembro de sentir uma dor muito forte e as lagrimas já começaram a cair antes mesmo de saber. Eu já sabia dentro de mim. Eu senti o teu abraço, o nosso cheiro, os teus dedos no meu cabelo. Eu sempre soube que você sempre cuidaria de mim, se não daqui, de lá. Eu, sinto.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Eu me perco por segundo nos meus pensamentos que mudam do nada, meio por ser tão imediatista, meio por não ser uma coisa fixa. Procurei por muito tempo me encaixar, sempre faltando um pedaço  aqui e outro ali, um quebra cabeça quadrado com peças redondas, ali, mas sem pertencer. Depois de várias tentativas de se conhecer, sempre um passo atrás, parei de tentar. Não sei ser só uma coisa. Há uma profundidade e uma vontade louca por conhecimento e sentido que não me deixa pertencer a nada. Não sei ser uma coisa só, porque não sou uma coisa só. Entender isso é uma dádiva. Presenciar, absorver, filtrar, autoconhecer. Um passo apressado num tempo de lentidão. Um dia eu chego lá. 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Em meio a lagrimas venho a me perguntar quando essa minha vida começou a desandar. Nessa busca insana de autoconhecimento, de tanto pregar que deve-se aprender a estar bem sozinho para que se possa ser companhia de alguém, chego então ao ponto de que um caminho apenas nesse sentido não leva a plenitude alguma. Cá estou, a depender só de mim pra conseguir tudo que sempre quis, e em vez de paz, a solidão se faz sufocante. E isso dói. Amo completamente aqueles que comigo partilharam tudo até aqui, mas não tenho como deixar de questionar se é suficiente as palavras em vez de presença. De tanto cada um em suas lutas sozinhos, resta ausência. E que poderia fazer além de frustrar minhas expectativas? Nessa estrada só a fé maior que tudo, lágrimas pra não explodir e a crença de uma vida incrível por vir.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Se eu te disse que posso ver além dessa capa inteira?
Aí. Bem no fundo da sua alma, onde você guarda todo sonho e toda beleza. 
É pra poucos né?!
Pra quase nenhum ser.
Mas,
Eu vejo. 
Não por você tê-la exposto a mim, mas por sermos dois seres tão imersos no próprios medos.
Vejo, por ser semelhante. 
E sei, que é tão florido aí que chega a ser pecado deixar tão guardado. 
Vem cá. 
Abre esse seu sorriso.
Vamos ser um pouco mais felizes.
L I V R E S
De nossa própria natureza;
De nossas verdades tidas como certezas;
Desses nossos muros afiados.
Me dá a mão e vem.
Que a gente não se perca em nossos próprios labirintos.
Que a gente saiba engrandecer e prosperar esse jardim.
Arruma essa casa.
Tenha calma.
Fecha os olhos e enxerga com a alma.
Se eu consigo, você também pode se ver.
Abre esses portões.
Deixa o sol impreguinar e trazer luz.
Permita refletir e se transborde
Em todo seu ser transpareça sua alma de flor.
E ai então, dois pontos
Avise aos navegantes: brotar-se-ão novas cores.