Acho que hoje foi um dos piores dias de quarentena pra mim. Vários problemas que nem são tão problemas assim, mas trazem com eles a sensação impotente de que eu não posso fazer nada (realmente nada) para mudá-los. Me encontro totalmente perdida em todos os aspectos possíveis e sei que não estou bem. Solidão pesa, sentimento de inutilidade idem. Acumulam-se pensamentos, boletos, imprevisões, descontrole, pessimismos disfarçados de realismos. Não quero consolo, nem que escutem piedosamente meus problemas. Eu só quero absorver esse momento e nunca mais passar por ele. Não desprotegida, com surtos e choros. Talvez eu devesse me entregar as lágrimas até elas esgotarem e eu possa mais uma vez inspirar coragem. Folego. Subir a superfície. Talvez eu deva me entregar ao caos, colocar nas mãos de Deus tudo que está sendo e tudo que vem. Me sinto perdida como nunca. Eu desapeguei dos meus sonhos, do que me fez chegar até aqui, desapeguei de pra onde vou e pra onde desejo estar no futuro. Será que eu me perdi de mim? Que eu esqueci quem sempre fui? Ou será que eu nunca soube e por isso vacilo tanto? Eu não sei, sinceramente não sei. Eu só quero e espero que tudo passe e eu sobreviva aqui dentro de mim.
quinta-feira, 30 de abril de 2020
quinta-feira, 23 de abril de 2020
algum dia em quarentena
Os dias são quase todos iguais, mas as dores parecem diferentes
É o peso dos dias trancados, imersos nos medos e problemas
Dentro de dentro de dentro
De casa, de nós
Tudo que se sente é muito, e não necessariamente isso é bom
Se entregar a incerteza e ao caos é um processo extremamente difícil.
Há que se buscar a paz, e não somente isso: permanecer nela.
Enquanto lá fora não se pode ver a luz
Nós mantemos lamparina porta a dentro
quarta-feira, 8 de janeiro de 2020
Tenho me maltratado demais sem saber muito o porquê, odiando a imagem que eu vejo no espelho e reduzindo o tanto que sou a isso. Uma imagem. Um corpo. Um exterior que apenas é o que te carrega aos lugares. Nunca fui muito de me enxergar de uma maneira positiva ou demonstrar qualidades, cuidados e carinhos, mas ao longo de vinte e oito anos o processo de aceitação avançou bastante e passei a ser mais gentil com tudo que me tornei e venho me tornando. mas é difícil. Acaba sendo um ciclo vicioso e qualquer mínima faísca de insegurança é capaz de romper com tudo que demorou a ser construído. Mas por que? Até quando? Quantos e quantos anos e livros e estudos levarão até que eu pare de me sentir assim quando eu sei dentro de mim que tudo isso é superficial, estúpido e uma ponta minúscula perante tudo que sou e sinto? Me dói também passar por isso sabendo causas, históricos e lutas femininas e feministas. Por que a gente foca tanto na parte de fora quando é a de dentro que merece palco?
Mais um ano começou e já está sendo um pouco atípico pra mim. Sem metas, sem listas, sem muitos objetivos, como quem viaja quietinho só caminhando sem ter um destino final. Estaria eu desiludida ou apenas deixando que a vida faça o seu curso sem interferências ou tentativas de manter algum controle. Teria aprendido a viver longe do guidom? Ao certo, acabo sem saber de muita coisa. Respirando um minutinho de cada vez com baixíssimas perspectivas. Fazendo minha parte de um jeito mais leve e sem refletir muito sobre isso embora escrever já seja um pouco de reflexão. Será que é fruto da idade? A gente vai perdendo a animação dessa coisa de ter um ano inteirinho novo pra fazer o que quiser e deixar o anterior no passado como quem pega uma roupa que não cabe, separa pra doação e abre espaço pra uma nova no guarda-roupa. Seria o fato da vida ter sido muito generosa comigo me dando poucas preocupações de modo geral, ainda que o status concurseira perdure até perder de vista com seu pacote inseguranças e dramas. Talvez em algum momento eu sente e escreva no meu caderninho aquelas coisas de vou ler um livro por mês, vou juntar dinheiro, manter uma dieta, me alimentar melhor etc etc etc. Coisas que basicamente toda pessoa adulta deveria fazer em sua vida e que viram metas de ano novo pela simples ilusão que a mudança do dia 31 para 01 mude também todos os velhos hábitos de muito tempo. E é isso, trezentos e alguns dias pra ver no que vai dar.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2019
2 taças de vinho, uma madrugada e reflexões sobre a vida. Talvez esses sejam os momentos que eu mais goste de estar sozinha, apreciando meus próprios pensamentos desconexos, derramando minha alma e recolhendo os pedaços a serem consertados. Ainda é uma quinta feira de calor nesse começo de dezembro, que provavelmente será ainda mais quente em seu decurso. Faltam um ou dois dias pra poder dormir emaranhada em seus braços e cabelos e sinto saudades. É sempre um pouco mais difícil voltar e me pergunto se você compartilha dessa mesma sensação já que sou eu que invado o seu lugar e sua vida. Esse vazio do seu quarto é o mesmo do vazio aqui dentro do meu peito? Oscilamos entre pressa e tentativas de calma, e meu sono já começou a impregnar fechando meus olhos, embora eu não consiga dormir muito bem sem o seu boa noite. Espero que o vinho faça algum efeito quanto a isso, mesmo que provavelmente eu acorde na madrugada procurando notícias suas. Vou dormir por mais um dia pensando em você aqui, dividindo a cama e o mísero espaço que você deixa pra mim entre a parede. Até mais, meu amor
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