Se eu dormisse e em um sonho me aparecesse o futuro tal qual será, sem que fosse possível qualquer interferência, isso acalmaria o meu temor? Acabariam as dúvidas que martelam em minha cabeça por todo o tempo livre? E se não viesse (como não virá), durante o sono, mas concedido fosse um único desejo, o que escolheria? Qual vontade eu mataria? Qual caminho iria encurtar com a realização de um querer? Quantas chances, vidas e destinos eu mudaria? Qual aprendizado eu deixaria para trás pegando um atalho? Como apontar pra o foco e desfocar toda distração? Como rasgar em pedacinhos toda essa incerteza, todas essas perguntas que me faço por segundo? Como calar a minha própria voz de cobrança, minha insegurança que insiste em soprar aos meus ouvidos que não sou capaz. Onde eu me desligo do mundo? Onde eu me desligo de mim? Adiantaria prever ou pelo menos me ver lá na frente em um lugar que nem sei se gostarei de estar? Como responder a qualquer coisa se as perguntas parecem não ter respostas? :/
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Quando saberá, em algum acaso. Tampouco espera, aceita
O dia chega, o ócio.
O corpo descansa, a mente não
Pede alma
Clama o novo
Em rodeios reclama e pede desculpas
Ao sol, à flor, aos céus
Respira o mundo pelas imagens, quer inalar pelo viver, não mais pela tela
Se cansa, acomoda, cansa de novo
Bebe das madrugadas solidão
Aguarda a semente que não brota
Insiste no que deve largar
Nada faz sentido
Se esgota e aguarda o sono.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
"Here comes the sun".
Gostaria, de todo o meu coração poder derramar mil lágrimas neste instante, sobre esse texto e sobre os objetos tão impessoais que compõem a minha mesa de trabalho. E, pelo menos por hoje, entender toda essa confusão de vontades que parecem conduzir à uma nova velha história que me coloco estupidamente. Poderia gritar, quem sabe? Mas de que adiantaria? Não há a quem culpar, e nesses momentos o peso recai todo sobre os meus próprios ombros. E nem minhas musicas terapias parecem funcionar neste momento. Alcançar um sonho e fechar um ciclo não deveriam ser tão dolorosos. Ou pelo menos não deveria ser tão difícil rasgar as velhas roupas que não mais servem. É tão contraditório pra quem ama mudanças ter medo de uma reviravolta. Medo de começar do zero, sem nem saber por onde começar. Medo de acomodar, medo de não ter mais aquele abraço que em breve estará a um oceano de distância, medo de cumprir com o que prometeu a si mesma. Não, não quero uma luz, um consolo, um sinal divino. Dessa vez, apenas minhas lágrimas ou meu grito seriam capaz de me acordar para a vida que eu quis e alcancei. Mas eles não vêm. Nunca fui de chorar e não será agora que irei desaguar, nem sou louca pra sair gritando por ai no meio da rua, ate porque o grito sempre é mais legal quando se está no meio do nada ou pelo menos é o que parece. A vida chama e embora soubesse que um dia ela chamaria, não estou pronta para atender ao chamado, mas, não há como olhar para trás, nem como ficar parado. Só há um caminho e um horizonte para se fixar.
Esquece o medo e voa.
*
quinta-feira, 12 de junho de 2014
Mais uma vez a maldita tpm ataca e com ela todo o sentimentalismo, carência e mimimis que empurro a cada segundo pro fundo mais fundo do meu cérebro. Quanto tempo mais vai se passar nessa falta de uma mão pra segurar e sentir que sim, vai ficar tudo bem e se não ficar você tem a quem recorrer? Um colo pra descansar o cansaço de dias corridos e estressantes ou pelo menos uma palavra otimista quando as forças se esgotam. Nesses dias, todas as minhas barreiras se desmancham feito água e toda o meu gelo se derrete tal qual fosse jogado em um deserto quente. Levo, todos os dias, todos os meus pensamentos e foco em quem quero ser, em quem vou ser. Porque sei que serei e só preciso de mim mesma. Afinal de contas, é toda uma vida levada em meus próprios pés e ombros. Sem apoios além da minha fé em Deus e no amor que carrego em cada célula do meu corpo. Não canso de preencher a alma enxergando tudo de bonito dessa vida, sentindo o mundo em minha liberdade, conquistando e tendo orgulho em trilhar sozinha cada degrau. Mas chega, sempre, uma vez no mês, essa nostalgia. Essa falta, esse vazio. Os questionamentos de sempre, o achar que não merece ou que tem algo errado, os mil defeitos enxergados no espelho. Pra relembrar dos tantos desacertos, desencontros, daquilo que não foi. Pra me enlouquecer de pensamentos e paixonites passageiras, pra aumentar o meu medo de sentir e perder a independência que tanto penei a ter. E passa. Tão rápido quanto chega. E os muros voltam, as armas são postas em jogo junto com as mil armadilhas. E o pensamento de sempre de que nunca vou entender, até que um dia simplesmente alguém diga: vai ficar tudo bem. E não precisarei mais desses dias, nem de muros. Só de fechar os olhos e sentir.
sábado, 3 de maio de 2014
retroagir
Tenho saudades do tempo em que passava o dia construindo a casa e a vida de minhas bonecas, em que felizes eram os dias de calor em que bexigas cheias de água eram atiradas umas nas outras, onde saber das coisas era vital para não tomar torta na cara e a agilidade vinha em forma de conseguir pegar a bandeirinha sem que o time adversário visse. Saudades de quando bom mesmo era ir aos domingos pra fazenda catar cajá e acerola do pé e saia correndo feito louca morrendo de medo depois de atentar as vacas e as galinhas. Saudades de quando o quintal da vizinha era uma floresta e um mundo inteiro cabia numa tarde de fazer fogueirinhas e cozinhar coisas em copos de alumínio. Do mesmo tempo em que gibis e revistas faziam com que tudo ao meu redor se apagasse a tal ponto de não ouvir ninguém me chamando ou me dando mais uma bronca por não prestar atenção em mais nada. De quando adultos eram apenas adultos, crianças eram apenas crianças e respeito era o que a gente devia ter com os mais velhos e com os outros. De quando ter ou não alguma coisa não importava, pois sempre haviam pratinhos e copos que viravam mesas, cds que viravam paredes, toalhinhas que viravam camas e tudo mais quanto fosse objetos que poderiam virar móveis e o que mais a imaginação mandasse. De quando subir em árvores, muros, descer ladeiras de patins e cair mil vezes de bicicleta eram atividades desempenhadas sem medo de acabar com vários cortes e feridas. De quando padrões de comportamento, beleza ou corpo não eram sequer avaliados ou pensados e a única coisa com a qual me importava era a hora que passaria o meu desenho preferido. Mas saudade maior mesmo eu tenho de não enxergar quão vazias, ruins ou mesquinhas podem ser as pessoas. Do não julgamento que há na infância, derivado da pureza de coração e de alma que se mantém até que sejamos contaminados com o abrir dos olhos pro mundo. E com os olhos abertos, a gente vê o medo, os padrões, o egoísmo, o circo e reino animal disfarçado em ser pensante. A gente acorda e de repente precisa se enquadrar, se adaptar, sobreviver e viver uma luta por dia em busca de uma felicidade que é ter, ser melhor, maior, mais forte, mais rico, mais bonito, mais dentro do padrão, até que os olhos voltem novamente a se fechar, dessa vez, pela morte. Fecha-se então o ciclo. Ou não. Pra toda imposição, há a revolta, pra todo padrão a fuga, e, então, pros olhos abertos, os sonhos e não mais saudade. E então, ao ver naqueles que não se entregam, não se conformam e não se deixam adaptar, sinto menos falta do que fui e mais vontade de dias de sol e tarde quentes felizes ou não, mas sempre sem ser formiga, sem ser só mais um ser submetido a uma forma, sem que seja necessário absorver todo o egoísmo, a maldade, a lei da selva que nos é jogada cotidianamente. Sigo com saudade, mas além disso, com desejo de viver como criança, sem medo, sem filtros e sem julgamentos.
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